sexta-feira, 18 de maio de 2018

Teatro/CRÍTICA

"LTDA"

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Oportuna reflexão sobre o nosso tempo 



Lionel Fischer



Em busca de seu primeiro emprego, um jovem recém formado em jornalismo consegue uma entrevista em uma aparentemente ilibada agência de jornalismo. Mas logo os sócios da empresa explicitam o que esperam dele: "Você será bem pago para inventar e divulgar notícias com o objetivo de expandir o mercado das empresas que contratam nossos serviços". Ainda que surpreso, posto que a proposta contraria frontalmente seus ideais, o rapaz aceita o emprego, mas logo percebe que a mentira também é inerente ao funcionamento interno da empresa, o que contribui para seu progressivo esfacelamento.

Eis, em resumo, o enredo de "LTDA", de autoria de Diogo Liberano. No elenco, integrantes do Coletivo Ponto Zero (Brisa Rodrigues, Bruna Scavuzzi e Lucas Lacerda) e os atores convidados Leandro Soares e Orlando Caldeira. Debora Lamm assina a direção do espetáculo, em cartaz no Teatro Eva Herz.

Como todos sabemos, a mentira tornou-se, nos tempos atuais, uma espécie de instituição, cujo poder parece não ter limites, graças aos recursos tecnológicos à disposição. E o ato de mentir está cada vez mais acoplado a um cínico descaramento, como se fosse absolutamente natural esquecer a ética desde que a mesma constitua um entrave aos objetivos a serem alcançados. 

Posso estar enganado, e espero estar enganado, mas tenho a impressão de que estamos vivendo em um mundo que parece destinado a chafurdar na própria imundície, que estamos todos com lama até o pescoço e que em breve o ar nos faltará, e valores éticos talvez se vejam reduzidos a vagas lembranças do que poderíamos ter sido e não fomos. Mas haverá ainda alguma esperança de reverter esse macabro destino? 

O texto de Diogo Liberano nos aponta uma remota possibilidade, na medida em que, como dito no parágrafo inicial, as poderosas instituições que fabricam mentiras podem se desestruturar quando internamente a mentira for inerente à própria engrenagem. Mas será isso suficiente? Ou também se torna imperioso que todos nós, que não pertencemos a poderosas instituições, iniciemos um processo de conscientização que nos leve a banir de nossas vidas a compulsão de fabricar falsos perfis nas redes sociais, de fingir o que não somos, de simular emoções que não sentimos e assim por diante? Enfim, o tempo dirá. Mas o problema é que o tempo passa muito rápido...

Bem escrito, contendo ótimos personagens e extremamente oportuno graças às reflexões que Liberano faz a respeito do  sinistro tempo em que vivemos, "LTDA" recebeu ótima versão cênica de Debora Lamm. Valendo-se de marcações imprevistas e criativas, a dinâmica cênica criada pela diretora contribui  decisivamente para o fortalecimento dos múltiplos e diversificados climas emocionais em jogo. Além disso, estabelece com a plateia uma relação de permanente incômodo, deixando claro que todos somos responsáveis, ainda que em graus diferentes, pela tragédia que nos assola.  

Com relação ao elenco, Orlando Caldeira exibe performance irretocável na pele do Narrador que conduz a história e se relaciona tanto com a plateia como interage com os personagens. Leandro Soares compõe muito bem o jovem jornalista, trabalhando com a mesma eficiência tanto os aspectos humorísticos do personagem como sua progressiva perplexidade. Na pele da funcionária que almeja ser demitida para abrir seu próprio negócio com o dinheiro da indenização, Brisa Rodrigues exibe forte presença e uma indignação que emociona. Bruna Scavuzzi e Lucas Lacerda, os sócios da empresa, materializam com extremo vigor o cinismo, descaramento e total ausência de ética daqueles que acreditam cegamente na eficácia do poder de manipulação.

Na equipe técnica, considero irrepreensíveis as contribuições de Denise Stutz (direção de movimento), Marcelo H (criação sonora), Ticiana Passos (figurino), Josef Chasilew (visagismo), Debora Lamm (cenário) e Ana Luzia de Simoni (iluminação), cabendo também destacar a criativa programação visual de Daniel de Jesus.

LTDA - Texto de Diogo Liberano. Direção de Debora Lamm. Com Brisa Rodrigues, Bruna Scavuzzi, Leandro Soares, Lucas Lacerda e Orlando Caldeira. Teatro Eva Herz. Quinta a sábado, 19h.







quarta-feira, 16 de maio de 2018

O

domingo, 13 de maio de 2018

Prêmio APTR 2017
Vencedores

Produção – Morente Forte (Um Bonde chamado Desejo)
Espetáculo – Tom na Fazenda
Direção – José Roberto Jardim (Adeus, Palhaços Mortos)
Ator – Ary Fontoura (Num Lago Dourado)
Atriz – Guida Vianna (Agosto)
Atriz Coadjuvante – Leticia Isnard (Agosto) e Lisa Eiras (Hamlet)
Ator Coadjuvante – Claudio Mendes (Agosto) e Fábio Enriquez (Suassuna – O Auto do Reino do Sol)
Autor – Bráulio Tavares (Suassuna – O Auto do Reino do Sol)
Cenografia – Carla Berri e Paulo de Moraes (Hamlet)
Figurino – Kika Lopes e Heloisa Stockler (Suassuna – O Auto do Reino do Sol)
Iluminação – Adriana Ortiz (Monólogo Público) e Paulo Cesar Medeiros (O Jornal)
Música – Alfredo Del Penho, Beto Lemos e Chico Cesar (Suassuna – O Auto do Reino do Sol) e João Callado (Zeca Pagodinho – Uma História de Amor ao Samba)
Especial – Veríssimo Junior (pelo trabalho no Teatro da Laje)

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Teatro/CRÍTICA

"Maria!"

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Imperdível encontro no Sesc



Lionel Fischer



"A peça é uma organização das crônicas e canções de Antônio Maria (1921/1964), costuradas de modo a constituírem um enredo. O tempo cronológico do espetáculo é o de um dia na vida de Maria, o dia de seu aniversário, mas suas lembranças é que dão o tom biográfico que cria o enredo da peça. Maria! resgata o poeta e o traz de volta à luz no seu palco original, Copacabana, bairro no qual viveu a maior parte de sua vida".

Extraído do release que me foi enviado, o trecho acima sintetiza o contexto em que se dá "Maria!", em cartaz no Mezanino do Sesc Copacabana. Os textos e canções são de autoria de Antônio Maria, estando a dramaturgia a cargo de Claudio Mendes, que dá vida ao cronista, poeta e compositor, dividindo a cena com a violoncelista Maria Clara Valle. Inez Viana assina a direção da montagem.

Nascido no Recife, Antônio Maria veio muito jovem para o Rio de Janeiro, sempre morando em Copacabana. Exerceu múltiplas atividades em sua breve existência, mas seu principal legado são os poemas, crônicas e canções, dentre elas as apresentadas no espetáculo - "Valsa de uma cidade" (parceria com Ismael Netto), "Menino Grande", "Se eu morresse amanhã de manhã", "Frevo nº 1 do Recife", "Quando tua passas por mim" (parceria com Vinícius de Moraes), "Carioca 1954" (parceria com Ismael Netto), "Ninguém me ama" (parceria com Fernando Lobo) e "Manhã de carnaval" (parceria com Luiz Bonfá).

Se uma única palavra pudesse definir Antônio Maria, suponho que seria "paixão". E a mesma abarcava palavras, melodias, mulheres, bebidas, a cidade que idolatrava e seus incontáveis amigos e amigas - dentre muitos outros, Vinícius de Moraes, Di Cavalcanti, Maysa e Dolores Duran. Além disso, seu humor, inteligência, sensibilidade e simpatia faziam dele uma pessoa extremamente querida, acolhida com o mesmo afeto em diversificados ambientes.

Em face do que já foi dito, só uma dramaturgia desastrada, uma direção inexpressiva e um ator incapaz de materializar uma personalidade tão fascinante poderiam gerar um espetáculo tedioso. No entanto, ocorre justamente o oposto. Claudio Mendes costurou poemas, crônicas e músicas de Antônio Maria de forma admirável, oferecendo ao espectador um retrato sensível e divertido do artista.
O mesmo brilho e eficiência se fazem presentes na direção de Inez Vianna, tanto no que diz respeito à dinâmica cênica - diversificada, expressiva, divertida e sempre intimista, já que Claudio Mendes estabelece permanente contato com a platéia - quanto no que diz respeito à sua atuação junto ao intérprete. E aqui me permito explicitar uma singela tese.

Mesmo admitindo que um grande diretor, que não tenha feito carreira como intérprete, possa extrair de seu elenco ótimas performances, acredito piamente que, sendo ele também um grande intérprete, a probabilidade de se chegar a um resultado mais impactante é bem maior. E isto se deve ao óbvio fato de que ele conhece os diversificados caminhos a serem percorridos da primeira leitura à estreia. Um profissional com essa dupla qualificação entende que cada ator tem um processo próprio, uma forma singular de se apropriar do personagem, o que pressupõe uma mútua adequação - em caso contrário, não haverá cumplicidade e encontro entre aquele que dirige e aquele que interpreta. 

No presente caso, como todos sabemos, Inez Viana é não apenas uma excelente diretora, mas também uma atriz maravilhosa. E certamente este duplo predicado foi determinante para a irretocável performance de Claudio Mendes. Possuidor de ótima voz, irrepreensível trabalho corporal, grande carisma e notável inteligência cênica, o ator nos brinda aqui com uma das melhores atuações de sua carreira, cabendo também salientar que canta de forma encantadora, com uma naturalidade nem sempre presente nos intérpretes de musicais.

No tocante à equipe técnica, Ricardo Góes responde por excelente direção musical, cabendo um registro especial para a técnica e sensibilidade da violoncelista Maria Clara Valle. Como de hábito, Paulo Cesar Medeiros ilumina a cena com grande sensibilidade, contribuindo decisivamente para o fortalecimento dos múltiplos climas emocionais em jogo. Flavio Souza assina um figurino em total sintonia com a personalidade retratada, cabendo também registrar a despojada e eficiente cenografia, não assinada - basicamente um banquinho, um abajur e uma bandeja.

MARIA! - Autoria de Antônio Maria. Dramaturgia de Claudio Mendes. Direção de Inez Viana. Com Claudio Mendes e a violoncelista Maria Clara Valle. Mezanino do Sesc Copacabana. Quinta a sábado, 21h. Domingo, 20h.






quarta-feira, 25 de abril de 2018


Caríssimos amigos e colegas,

sexta-feira, 23 de março de 2018

Queridos amigos,

O Tablado foi fundado e se mantém até hoje sobre os principais pilares do teatro amador: trabalho em grupo e amor ao teatro. Somos uma associação sem fins lucrativos, portanto, a receita das nossas bilheterias é revertida para a montagem do espetáculo seguinte. São muitos os desafios que enfrentamos para garantir a manutenção deste teatro e o legado inestimável de Maria Clara Machado.

Agora, aos 67 anos, O Tablado não conta com nenhum apoio, seja ele público ou privado. Isto se deve, em parte, à falta de uma política cultural efetiva voltada para crianças e adolescentes.

As portas do Tablado são abertas a todos que queiram aprender, criar, somar, colaborar. É um lugar que valoriza a amizade, a ética, o respeito e a arte. Porém, recentemente, devido a ações desleais de uma pessoa que considerávamos dignas de nossa confiança, sofremos sérios prejuízos.

Por conta disso, o Teatro O Tablado se encontra hoje em uma situação financeira grave que ameaça a sua continuidade. Reunimos forças e criamos estratégias para juntos conseguirmos superar e sairmos mais fortes desta experiência. Convidamos você, amigo do Tablado, a se unir a nós através da Campanha S.O.S. O Tablado que realizará 2 sessões beneficentes do infantil “O Camaleão e as batatas mágicas”, de Maria Clara Machado.

Dia 21/04, às 17 horas
Dia 22/04, às 17 horas
Colaboração: R$ 200,00  (um ingresso)


Formas de adquirir seu ingresso:

· No Tablado
Com Cris Chevriet, de segunda a sexta de 14h às 19h, em dinheiro ou cheque.

· Depósito na conta do Tablado

Banco Bradesco
Teatro Amador O Tablado
CNPJ: 03.393.2039/0001-04

Agencia: 1444
Conta corrente: 0027505-0

-Após a realização do depósito, favor enviar o comprovante para o e-mail: otablado@otablado.com.br com o dia da sessão, a quantidade de ingressos e um endereço para entrega.

Em reconhecimento seu nome constará na nossa lista de agradecimentos.



Conto com vocês,
Cacá Mourthé


“O trabalho no Tablado nos deu sempre a sensação de estarmos vivos - vivos mesmo quando o preconceito, a ganância, o medo de amar invadem nosso espaço de viver. Estamos criando esperanças, criando responsabilidades, criando vínculos que nos serão úteis para o resto da vida. Estas são as coisas que realmente importam. 
O resto vem por acréscimo.”
Maria Clara Machado, 1986.


O
 
Ontem, 21:24
Esta mensagem foi enviada com prioridade alta.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Teatro/CRÍTICA

"Romeu & Julieta"

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Ousada e meritória versão



Lionel Fischer




Embora me pareça incontestável que William Shakespeare é o maior dramaturgo da História, encenar uma de suas peças, e em especial as tragédias, implica em se empreender algumas reflexões, dentre elas a mais aguda: como fazê-lo? Se o texto for feito na íntegra, provavelmente o espectador atual não se mostrará disponível para se manter atento ao longo de muitas horas. Se a opção for fazer uma adaptação, mesmo que pertinente, ainda assim corre-se o risco de minimizar o alcance do original. Então, qual seria o caminho mais viável? 

Em minha opinião, uma adaptação, como ocorre no presente caso, sendo que a mesma materializa dois desafios suplementares: a tragédia foi convertida em um musical e as canções são assinadas por Marisa Monte, ou seja, totalmente inseridas na contemporaneidade.   

Em cartaz no Teatro Riachuelo, "Romeu & Julieta" tem concepção e direção assinadas por Guilherme Leme Garcia. Gustavo Gasparani e Eduardo Rieche respondem pela adaptação e roteiro musical, sendo que o projeto também contou com a colaboração artística de Vera Holtz.

No elenco, Bárbara Sut (Julieta), Thiago Machado (Romeu), Ícaro Silva (Mercuccio), Pedro Caetano (Teobaldo), Bruno Narchi (Benvolio), Stella Maria Rodrigues (Ama), Claudio Galvan (Frei Lourenço), Kacau Gomes (Sra. Capuleto) e Marcelo Escorel (Sr. Capuleto). Neusa Romano (Sra. Montecchio), Max Gracio (Sr. Montecchio), Kadu Veiga (Príncipe), Diego Luri (Paris) e Saulo Segreto (Pedro) interpretam os citados personagens e também compõem o elenco de apoio. Os que se seguem integram apenas o elenco de apoio - Franco Kuster, Gabriel Vicente, Laura Carolinah, Luci Salutes, Thiago Lemmos, Vitor Moresco, Gabi Porto, Santiago Villalba, Natalia Glanz e Daniel Haidar.

Como tratados sobre esta obra-prima já foram escritos por renomados críticos, pensadores, ensaístas, filósofos e psicanalistas do mundo inteiro, certamente muito mais capazes do que eu, julgo pueril ter a pretensão de acrescentar algo ao que já foi dito. No entanto, permito-me apenas uma singela observação. Mesmo que o texto materialize a mais bela história de amor já escrita, creio que seu maior mérito consiste na feroz investida que Shakespeare faz contra a intolerância, que desde os primórdios da humanidade tem sido a maior responsável pelas inúmeras e diversificadas tragédias que parecem fadadas a se perpetuar.

Com relação à opção de converter "Romeu & Julieta" em um musical, acho perfeitamente válido - ao menos em princípio, toda obra pode ser convertida em musical. Mas, no presente caso, é grande a ousadia, pois, como já foi dito, todas as canções são de Marisa Monte, totalmente inseridas na contemporaneidade. Diante disto, algumas questões se impõem: tal opção funciona ou minimiza a potência do original? Foi adotada para facilitar o envolvimento do espectador, já que o mesmo se reconhece e se identifica com muitas das canções?  Em meu entendimento, estamos diante de uma proposta totalmente válida, e certamente as canções selecionadas contribuem decisivamente para o fortalecimento dos múltiplos climas emocionais em jogo e os aspectos políticos inerentes à obra. 

No tocante ao espetáculo, Guilherme Leme Garcia impõe à cena uma dinâmica em total sintonia com o material dramatúrgico e com as canções de Marisa Monte. Tanto as passagens mais líricas e luminosas, como as impregnadas de dor e essencialmente sombrias são trabalhadas de forma impecável, propiciando ao espectador um belo encontro com uma obra que será lida e representada até que não exista mais ninguém neste curioso planeta que habitamos.

No que diz respeito ao elenco, Bárbara Sut desenha com grande sensibilidade toda a curva emocional de Julieta, inicialmente uma aristocrata apenas impregnada de juvenil paixão e mais adiante consciente das graves questões que determinarão seu trágico desfecho. Cabe também salientar sua belíssima voz e a graciosidade de seu universo gestual. A mesma eficiência se faz presente no Romeu a cargo de Thiago Machado, com o ator mergulhando de forma visceral em todos os estados emocionais do personagem, afora cantar de forma irretocável. 

Outros destaquem ficam por conta das performances de Stella Maria Rodrigues e Claudio Galvan. A primeira constrói uma Ama encantadora, tanto por seu humor quanto por sua infinita capacidade de amar e tentar entender os conflitos de Julieta. Já Galvan exibe um desempenho que mescla, em igual e apropriada medida, afeto e lucidez. Quanto a Ícaro Silva, o excelente ator compõe um Mercuccio priorizando um estado exacerbado e pleno de afetação, além de sugerir uma possível homossexualidade do personagem, que a meu ver nada acrescenta de significativo à trama. Com relação aos demais intérpretes, todos contribuem de forma decisiva, tanto no canto quanto na dança, para o sucesso desta oportuna empreitada teatral.   

Na equipe técnica, destaco com o mesmo entusiasmo as preciosas colaborações de Gustavo Gasparani e Eduardo Rieche (adaptação e roteiro musical), Vera Holtz (colaboração artística), Apollo Nove (direção musical), Jules Vandystadt (direção vocal), Toni Rodrigues (coreografia), Renato Rocha (lutas), Daniela Thomas (cenário), João Pimenta (figurino), Fernando Torquatto (visagismo), Monique Gardenberg e Adriana Ortiz (desenho de luz), Carlos Esteves (desenho de som), Victor Hugo (desenho gráfico) e Marcela Altberg (produção de elenco). Cabe também destacar as maravilhosas contribuições de Claudia Elizeu (maestrina), Gabriel Gravina (teclado), André Barros (violões e bandolim), Tássio Ramos (baixo acústico), Arthur Pontes (violino e viola), Fábio Meg (cello acústico), Gabriel Guenther (percussão orquestral) e Gelton Galvão (harpa).

ROMEU & JULIETA - Texto de William Shakespeare. Concepção e direção de Guilherme Leme Garcia. Músicas de Marisa Monte. Adaptação e roteiro musical de Gustavo Gasparani e Eduardo Rieche. Colaboração artística de Vera Hotlz. Com Bárbara Sut, Thiago Machado e grande elenco. Teatro Riachuelo. Sexta e sábado, 20h. Domingo, 18h.




quarta-feira, 14 de março de 2018





Vencedores do Prêmio Shell de Teatro 2017
  • Autor
    Braulio Tavares por “Suassuna - O Auto do Reino do Sol”
  • Direção
    Rodrigo Portella por “Tom na Fazenda”
  • Ator
    Gustavo Vaz por “Tom na Fazenda”
  • Atriz
    Yara de Novaes por “Love Love Love”
  • Cenário
    Carla Berri e Paulo de Moraes por “Hamlet”
  • Figurino
    Kika Lopes e Heloisa Stockler por “Suassuna – O Auto do Reino do Sol”
  • Iluminação
    Paulo Cesar Medeiros por “O Jornal”
  • Música
    Chico César, Beto Lemos e Alfredo Del Penho por “Suassuna – O Auto do Reino do Sol”
  • Inovação
    Espetáculo “Tripas” pela forma de realização entre a universidade, através dos programas de pós-graduação, e a produção teatral.
  • Homenagem
    Hélio Eichbauer por seu trabalho ao longo de mais de 50 anos de renovação da cenografia brasileira.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Teatro/CRÍTICA

"CAOS"

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Sensível retrato de nossa realidade



Lionel Fischer



"Impasses e surpresas que todos estão sujeitos a vivenciar no dia a dia da cidade do Rio de Janeiro. A montagem é uma reunião de contos que a atriz e idealizadora do projeto escreveu ao longo dos últimos anos. Interferências, desconfortos, possíveis perdas, maus tratos, indiferenças, acidentes e desvios da cidade caos. Todos os contos materializam experiências vividas pela autora".

Extraído do release que me foi enviado, o trecho acima sintetiza as premissas básicas de "CAOS", de autoria de Rita Fischer. Em cartaz no Teatro Municipal Serrador, a montagem leva a assinatura de Thiago Bomilcar Braga, estando o elenco formado por Maria Carol e Rita Fischer.

Como explicitado no parágrafo inicial, os contos encenados objetivam retratar o que está acontecendo em nossa cidade ao longo dos últimos anos. Mas a autora fez uma clara opção no sentido de não investir em passagens trágicas, no sentido máximo do termo, como ocorre quando alguém é assaltado ou brutalizado na rua por uma razão fútil. 

No entanto, a tragicidade não deixa de estar presente, como na passagem que envolve um menino de rua que vasculha desesperadamente uma lata de lixo em busca de comida.
A personagem tenta ajudar ao máximo, oferece ao menino o sanduíche que está prestes a comer, ele aceita e finalmente pede que ela o leve consigo para morar em sua casa. Isso não é possível, evidentemente, e a cena termina evidenciando a dor de ambos e deixando no ar uma pergunta que parece que não será jamais respondida: a quem deve ser creditada a responsabilidade por tamanha miséria e abandono?

Em outros momentos, em que o humor predomina, o texto aborda situações que nos infernizam cotidianamente, como o mal atendimento nos bancos, nas lojas, a impaciência generalizada com o outro, a indiferença e descaso dos órgãos públicos com questões que poderiam ser facilmente resolvidas desde que houvesse um mínimo de boa vontade. E ainda no quesito humor, a autora ironiza o vício de postar fotos nas redes sociais e o machismo dos que ainda acreditam que a mulher não passa de um objeto usável e que não lhe cabe se revoltar contra isso.

E em meio a todo esse caos, pleno de desamor e indiferença, cabe ressaltar a belíssima passagem em que a autora retrata sua relação com sua cadela Futrica, já bem velhinha e totalmente cega. Após explicitar seu incondicional amor por ela, a autora encerra este segmento dizendo mais ou menos o seguinte: "Não importa que você caminhe com dificuldade, porque eu te ajudo a caminhar. E também não importa que você esteja cega, porque você vai continuar enxergando o mundo através dos meus olhos". Sem dúvida, um momento de grande emoção, que a plateia compartilha no mais absoluto silêncio e em meio a furtivas lágrimas.

Os 15 contos exibidos oferecem um sensível retrato do que estamos vivendo, e a encenação dos mesmos está em plena sintonia com os conteúdos propostos. O diretor Thiago Bomilcar Braga optou sabiamente por uma dinâmica simples e despojada, mas nem por isso isenta de expressividade. E seu maior mérito diz respeito ao seu trabalho junto às atrizes. 

Ambas fazem quase todos os personagens, às vezes sozinhas, às vezes contracenando. E o rendimento de ambas é excelente. Rita Fischer exibe uma vez mais seus inegáveis dotes de comediante, ainda que caiba a ela a comovente passagem com sua cadela, em que também demonstra ser capaz de transitar com a mesma eficiência pelo drama. Quanto a Maria Carol, esta evidencia, assim como sua parceira de cena, forte presença cênica, grande carisma e uma voz privilegiada, afora uma total cumplicidade com o material dramatúrgico, dele se apropriando como se fosse de sua autoria.

Na equipe técnica, Luíza Pitta responde por uma excelente direção de movimento, determinante para conferir grande expressividade ao trabalho das atrizes. Paulo Cesar Medeiros consegue o prodígio de, valendo-se de poucos refletores, contribuir decisivamente para o fortalecimento dos múltiplos climas emocionais em jogo. Dora Devin assina figurinos neutros, perfeitamente adequados às propostas da direção. Rádio Lixo responde por correta trilha sonora, sendo belíssimo o cartaz (identidade visual) criado por  David Lima.

CAOS - Texto de Rita Fischer. Direção de Thiago Bomilcar Braga. Com Maria Carol e Rita Fischer. Teatro Municipal Serrador. Terças e quartas, 19h30.


quarta-feira, 7 de março de 2018


UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (UNIRIO/PROEXC/ESCOLA DE TEATRO) &
SOCIEDADE PSICANALÍTICA DO RIO DE JANEIRO (SPRJ)
APRESENTAM:
FÓRUM DE PSICANÁLISE E CINEMA
PROGRAMAÇÃO DE 2018-1
FILMES ANALISADOS PELO PSICANALISTA:
DR. NEILTON SILVA
E PELA MUSEÓLOGA E PROFESSORA DA UNIRIO:
DRA. ANA LÚCIA DE CASTRO
30/03 – ME CHAME PELO SEU NOME
DIREÇÃO: Luca Guadagnino, 2017, 108 min.
O jovem Elio está enfrentando outro verão preguiçoso na casa de seus pais na bela e lânguida paisagem italiana. Mas tudo muda com a chegada de Oliver, um acadêmico que veio ajudar a pesquisa de seu pai.
27/04 – CENAS DE UM CASAMENTO
DIREÇÃO: Ingmar Bergman, 1973, 168 min.
Johan e Marianne são casados e parecem ter tudo. Sua felicidade, no entanto, é afetada quando Johan admite que tem um caso. O casal se separa e se divorcia, mas ainda tenta se reconciliar.
25/05 – TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME
DIREÇÃO: Martin McDonagh, 2017, 108 min.
Inconformada com a ineficácia da polícia em encontrar o culpado pelo assassinato de sua filha, mãe chama atenção com três outdoors em uma estrada A inesperada atitude repercute em toda a cidade.
DIREÇÃO: Radu Mihăileanu, 2006, 140 min.
Salomão tem 9 anos e é um cristão negro que vive no Sudão. Com ajuda da própria mãe, ele finge ser judeu e órfão para poder ir para Israel e ter chances de vida, mas a adaptação não é fácil.
SERVIÇO:
SEMPRE ÀS ÚLTIMAS SEXTAS-FEIRAS DO MÊS, DAS 18H ÀS 22H.
LOCAL – SALA VERA JANACOPOLUS / REITORIA DA UNIRIO
ENDEREÇO: AVENIDA PASTEUR, 296 – URCA.
ENTRADA FRANCA E ESTACIONAMENTO. FILME: 18H; DEBATE: 20H
PEQUENO HISTÓRICO DO FÓRUM DE PSICANÁLISE E CINEMA
O FÓRUM DE PSICANÁLISE E CINEMA FOI CRIADO PELOS PSICANALISTAS: DR. WALDEMAR ZUSMAN E DR. NEILTON SILVA. A PARTIR DE 2004, PASSA A CONTAR COM A PARTICIPAÇÃO DA MUSEÓLOGA E PROFESSORA DA UNIRIO, DRA. ANA LÚCIA DE CASTRO, RESPONSÁVEL PELA PESQUISA, DIVULGAÇÃO E ANÁLISE CULTURAL DOS FILMES.
COM A PARCERIA: UNIRIO – PROEXC - ESCOLA DE TEATRO E SPRJ, O PROJETO DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA MANTÉM UMA REGULARIDADE HÁ MAIS DE ONZE ANOS, TORNANDO-SE UM EVENTO MUITO CONCORRIDO, COM UM PÚBLICO FIEL E PARTICIPATIVO.
INFORMAÇÕES: forumpsicinema@gmail.com